quarta-feira, 3 de junho de 2009

Um mossoroense no voo 447.

Quando viu na manhã de segunda-feira, 1º, a logomarca da empresa aérea Air France estampada nas emissoras de televisão, a sobrinha do pesquisador de petróleo mossoroense Soluwellington Vieira de Sá, 40 anos, lembrou que a imagem era a mesma da etiqueta colada na bagagem do tio, que no sábado, 30, havia saído de Baraúna com destino ao Rio de Janeiro, para pegar um voo no domingo, 31, rumo à capital da França. Minutos depois, veio a confirmação de que a lembrança não era apenas coincidência: Soluwellington Vieira era um dos 228 ocupantes do voo 447 da Air France.De Paris, o mossoroense pegaria outro voo com destino ao Cairo, no Egito, onde começaria mais uma temporada de 45 dias em alto-mar, fazendo pesquisas em busca de petróleo a serviço da empresa Grant Geophysical Brasil, na qual Soluwellington trabalhava havia cinco anos e dez meses.A confirmação da presença dele no voo foi feita à família ainda na manhã de segunda-feira por funcionários da Grant. Desde então, ninguém tira os olhos da televisão na casa onde moram os pais dele, no sítio Juremal, em Baraúna. Quando souberam da notícia, os pais do pesquisador, Solon Henrique de Sá, 81 anos, e Francisca Vieira de Sá, 69 anos, passaram mal e tiveram de ser atendidos no hospital da cidade.Ontem, a mulher dele, Regiene Rocha de Sá, e o irmão Solon Henrique Júnior embarcaram em um voo em Natal com destino ao Rio de Janeiro, onde se juntaram aos demais familiares dos passageiros do voo 447 que estão em um hotel, por conta da Air France, para receber informações sobre as buscas à aeronave.O sábado passado marcou o último dos 20 dias de folga do pesquisador, aproveitada com os pais, os irmãos, a mulher e as duas filhas - uma de oito e outra de quatro anos de idade. "Sempre que ele vinha de folga ele aproveitava para ficar com a gente. É tanto que ele alugou a casa onde ele morou com a família por muito tempo, em Areia Branca, para vir morar aqui em Baraúna, perto dos pais da gente", disse Solange Vieira de Sá, irmã de Soluwellington.No domingo, por volta das 17h, ele fez o último contato com alguém da família. Por telefone, falou com a mulher e disse que já estava no Aeroporto Internacional Tom Jobim, esperando a hora do embarque no Airbus da Air France. "Ele sempre ligava do aeroporto, antes de entrar no avião", disse a sobrinha Valeska Maia. Às 19h30 o voo partiu.Nascido em Mossoró, Soluwellington Vieira de Sá morou mais de 15 anos na cidade de Areia Branca, com a mulher e as duas filhas. A busca por cursos na área de petróleo e gás dotou o mossoroense de uma experiência que abriu oportunidades de trabalho em empresas da área.Com um grupo de mais seis amigos - todos de Areia Branca -, Soluwellington ingressou na Grant para atuar no ramo de pesquisa de prospecção de petróleo no litoral brasileiro e, mais recentemente, no Egito.
Casal planejava viajar a Fernando de NoronhaO último contato do Airbus da Air France foi feito quando a aeronave passava pela região do arquipélago de Fernando de Noronha. A área é a mesma onde as autoridades brasileiras concentram as buscas aos destroços do avião.Para o mossoroense Soluwellington Vieira, o local onde as autoridades acreditam ter acontecido a queda da aeronave era um "sonho de consumo" agendado para se realizar. Com várias milhas aéreas acumuladas por causa das viagens a trabalho que fazia durante todo o ano, o mossoroense pretendia aproveitar alguma das próximas folgas do trabalho para viajar com a mulher para o arquipélago e conhecer as belezas naturais."Ele já tinha dito que ia aproveitar as milhas aéreas para viajar até Fernando de Noronha com a mulher. Por coincidência do destino foi exatamente onde ele e os outros (passageiros) sumiram com o avião", conta, segurando as lágrimas, uma das irmãs do pesquisador.
Acidentes anteriores vitimaram potiguaresSeis potiguares estavam entre as vítimas dos dois últimos grandes acidentes aéreos ocorridos no espaço brasileiro.Em 29 de setembro de 2006, 155 pessoas morreram depois de um Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas, que fazia o voo 1907, entre Manaus (AM) e o Rio de Janeiro (RJ), se chocar com um jatinho Legacy e cair na zona rural do município de Peixoto Azevedo (MT). Entre as vítimas estavam os irmãos Lavoisier Maia e Maria Zilda Maia, que eram do município potiguar de José da Penha e moravam em Manaus. Os dois estavam vindo à cidade natal para participar da festa da padroeira, quando morreram no acidente.No dia 17 de julho de 2007, um avião da TAM Linhas Aéreas, com 176 passageiros, não conseguiu pousar corretamente no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP), e explodiu depois de atingir um depósito de cargas da TAM. Entre os mais de 200 mortos estavam o empresário potiguar Ivanaldo Cunha, 51 anos, sua mulher Zenilda Otília, 44 anos, e os dois filhos do casal, Caio Felipe, 13 anos, e Ana Carolina, 10 anos. A família morava em Natal e retornava de uma viagem de férias a Gramado (RS), quando morreu no acidente.



Fonte: Jornal de Fato.

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